Vamos ao vegetariano?

01-02-2010 17:48

“Não há outras sandes sem serem de queijo e atum?”

Esta frase quebrou o ambiente da equipa como se fosse uma ofensa à senhora “não sei quantas” que fez as sandes com todo o gosto.

“É que eu sou vegetariana.” – disse a rapariga.

Ainda tentámos convencê-la a comer a sandes de atum sem imaginar o atum a “espernear” na rede de pesca… enfim, ela recusou com toda a convicção e só sei que andou não sei quanto tempo para conseguir comprar alguma coisa que não fosse contra os seus princípios de dieta.

No fim do dia perguntei-lhe, curiosa, acerca da sua opção em ser vegetariana. Vim a saber que já o era há vários anos por defender com “unhas e dentes” a protecção dos animais e por ser contra as várias técnicas de abate.

Depois de 10 minutos de conversa senti-me envergonhada por termos gozado com ela e chamar-lhe de “esquisitinha” quando ela apenas estava a seguir a sua convicção mesmo tendo sido difícil arranjar comida vegetariana naquele “fim do mundo”.

Na viagem para casa, pensei na intolerância que temos com a diferença e como aquela rapariga vegetariana (“à séria”) mostrou seguir aquilo que acreditava com todo o orgulho, independentemente do que os outros pensassem dela.

Ela não era pseudo-vegetariana. Daqueles que dizem ser-se vegetarianos mas que na verdade facilitam. Não é só por comer couves que nos tornamos vegetarianos.

Não te estou a incentivar a ser vegetariano mas antes em pensares comigo na coerência que temos em ser o que realmente dizemos que somos. Sermos o que dizemos ser não nos faz melhores que os outros, mais sabichões ou importantes. A nossa clareza na opção de ser e vivê-lo faz-nos próximos de Deus, dos outros e de nós próprios. É a nossa identidade.

Eles “andem”aí… os vegetarianos e também pessoas como tu e eu que querem viver de forma coerente, mesmo que errar seja “o prato do dia”, mas Deus nunca esteve tão próximo quando reconhecemos que precisamos d’Ele para aprender a viver.

 

Filipa Cunha, BSteen Dezembro 2009