É SEGURO?! - Educação Sexual nas Escolas

09-02-2010 20:02

Há alguns anos atrás um conhecido escritor evangélico norte-americano, Josh McDowell, escreveu um livro em que descrevia os mitos da educação sexual. Apesar das mudanças na nossa sociedade, sabemos que algumas das coisas que países como os EUA já experimentaram só agora começam a chegar a Portugal.

 

Aprender com os erros dos outros

Em termos tecnológicos temos dado passos largos no nosso desenvolvimento e rapidamente temos acesso aos últimos gadgets que são fabricados nos países mais desenvolvidos. No entanto, no que diz respeito à mentalidade do povo português e à sociedade da qual fazemos parte, a verdade é que vivemos a reboque das iniciativas dos outros. Então, se assim é, por que é que havemos de cometer os mesmos erros que eles cometeram? Devemos evitar aquilo que, segundo eles, trouxe mais problemas do que ajuda.

 

Por cá

Os nossos amigos da Aliança Evangélica Portuguesa, em especial aqueles que estudam as leis, estudaram com atenção os decretos-lei que querem a educação sexual nas escolas públicas. Eles acham que estes projectos põem um rótulo muito feio nos pais portugueses. Os nossos governantes querem substituir os pais pelos professores na educação sexual dos filhos, pois parece que acham a maioria dos pais portugueses incapazes ou sem preocupação nessa área.

 

Onde começa?

É verdade que muitos pais simplesmente deixam a educação dos seus filhos nas mãos das escolas, colégios, etc. Não só para receber conhecimentos de ciências, humanidades, línguas, etc. mas também na sua formação como cidadãos e pessoas. Esses pais desistem de educar. Não pode ser assim!

A educação deve começar em casa. Este é um facto importantíssimo! De acordo com a Bíblia, os filhos são herança do Senhor (Salmo 127:3). Ou seja, os pais recebem de Deus o privilégio de cuidar de vidas que, em última análise, Lhe pertencem. É como se Deus emprestasse os filhos aos pais, para que estes experimentassem um dos mais espectaculares relacionamentos entre seres humanos. Os pais não têm apenas o privilégio de poder ser abençoados por Deus com filhos. Eles também têm a enorme responsabilidade de os educar. São os pais os principais responsáveis pela educação dos seus filhos, necessitando, é claro, da colaboração de outras pessoas na formação deles.

As estatísticas dos EUA de há quinze ou vinte anos atrás são as nossas nos dias de hoje, quando descobrimos que um em cada dois casamentos acaba em divórcio. Quando isso acontece, deixamos de ter pais em quem encontrar um modelo, um exemplo, e os filhos crescem sem saber como dar e receber amor. Infelizmente em muitos dos casamentos o que é transmitido aos filhos é o ódio, a desconfiança e a indiferença em vez do amor. Por isso, não é de admirar que tantos jovens hoje sejam incapazes de ter relacionamentos próximos e de confiança (McDowell, 18).

O que Deus quer é que nós aprendamos a amar em casa, vendo os nossos pais amarem um ao outro e experimentando o amor deles por nós (McDowell, 18). Quanto à educação sexual, esta também tem de começar em casa. De acordo com Josh McDowell, pesquisas têm demonstrado que os adolescentes querem aprender sobre sexo com o pai e a mãe. Os pais são os primeiros modelos dos filhos no que diz respeito ao amor, afeição, autoridade e valores, incluindo os valores sexuais (McDowell, 84).

 

Neutros?

Gostaria também de lembrar que ninguém é 100% neutro. Esperar que as pessoas apenas transmitam informações sem serem tendenciosas é uma ilusão. A verdade é que não existe tal coisa como educação sexual isenta de valores e moralmente neutra.

Como afirmou McDowell a questão não é se a educação sexual ensina ou não valores ou moralidade; a questão é quem tem os melhores valores e qual é o melhor ou mais correcto código moral (McDowell, 93). Este mesmo autor descobriu nas suas pesquisas que a educação sexual supostamente moralmente neutra, mesmo quando defende e oferece anticoncepcionais não reduz a actividade sexual entre os adolescentes nem a gravidez indesejada antes do casamento.

 

O que pensamos?

Como cristãos evangélicos, a nossa maneira de ver o mundo não pode ser a mesma da sociedade em que estamos inseridos, pois esta é cada vez mais contrária aos princípios de Deus. Por causa da acção de Deus na nossa vida, diria mesmo, da Sua interacção connosco, a nossa mentalidade não pode ser a mesma que influencia o mundo em que vivemos, afastando-o cada vez mais de Deus, e que, sem darmos conta, também nos influencia a nós.

Talvez a mensagem cristã no que toca à educação sexual não seja nada popular, mas é a que melhor nos protege (e até às nossas futuras famílias) de problemas de ordem física e emocional. Ao defendermos uma sexualidade informada e responsável, estamos a prevenir uma série de problemas de saúde pública. Estamos a guardar-nos de traumas e infecções que apenas nos impedirão de atingir todo o nosso potencial.

Optar pela abstinência até ao casamento e fidelidade neste pode parecer “bota de elástico” mas é a decisão que nos protege melhor de vários tipo de sofrimento. Sem sermos alarmistas, queremos que penses nisto: o prazer dura alguns momentos, mas as consequências podem ser para a vida. Espera pelo tempo certo!

Não podemos impor uma visão religiosa do sexo a quem não concorda connosco, mas podemos apresentar uma alternativa saudável, com razões fortes, que não prejudica ninguém.

 

E agora?

Para ti, que és adolescente, peço que te tentes aproximar dos teus pais e lhes dês o benefício da dúvida. Pergunta devagarinho, não assustes os teus “velhotes” e pede-lhes para te ajudarem a aprender correctamente a respeito deste tema tão importante. Se tens mais à vontade apenas com um deles, procura um tempinho para falarem.

Àqueles que só agora começaram a descobrir que é possível dizer “não” e desejam começar um novo estilo de vida, a palavra de Jesus ainda hoje faz todo o sentido: “Venham a Mim e Eu vos aliviarei.”

 

Miguel Matias, Pastor evangélico, BSteen Agosto 2009

 

Para saber mais:

McDowell, Josh. Os Mitos da Educação Sexual. S. Paulo, Candeia, 1995

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