Ana Pinheiro - fazer História com gestos simples

21-12-2010 14:43

Um dia acordas, olhas à tua volta e simplesmente percebes que vives num mundo muito mais pequeno do que alguma vez imaginaras. Na verdade, ultimamente, o teu mundo tem-se resumido a um umbigo, o teu.

É fácil esquecermo-nos do que se passa do outro lado da janela, quando nem sequer tempo temos para olhar lá para fora. Sim, às vezes chove. Sim, há quem se molhe. Mas acabamos sempre por nos esquecer disso, por entre dias ocupados e outros que nós mesmos fazemos questão de os ocupar.

Deus deu-nos 24 horas por dia, 7 dias por semana, 31 por mês e ainda 365 por ano. Mas é incrível como não encontramos um único segundo escondido na nossa agenda preenchida para estender uma mão, para restaurar uma alma cansada, para oferecer um abraço, para redesenhar um sorriso apagado, para reencontrar uma esperança algures perdida na angústia que a memória deixou. É tempo de mudar. É tempo de marcar a diferença. É tempo de fazer história. É tempo de semear. E se não fores tu a fazê-lo, quem o fará?

A partir das minhas experiências de voluntariado com crianças e de todos os passos que já dei neste desafio que também alguém me colocou em mãos, nunca encontrei experiências tão enriquecedoras, experiências que jamais quero esquecer. Descobri que existe um outro horizonte a ser atingido e que posso chegar até ele, apenas se der a mão a alguém. Porque alguns horizontes estão à distância de uma mão ou à distância da sua ausência.

Descobri que há certas coisas na vida que se ganham ou se perdem com um olhar, que se constroem ou se destroem com uma palavra. E assim, cresci e fiz crescer. Ensinei e aprendi. Dei e recebi. Cheguei de braços abertos e parti de braços fechados, repletos de recordações que despontam saudade. Mas, para mim, mais importante que isso é aprender a conjugar o verbo amar na primeira pessoa. E isso, aprende-se a cada dia onde quer que estejamos.

Eu, quero amar. Quero amar com os gestos mais simples e não com os maiores feitos, quero amar com aquilo sou e não com aquilo que sonho ser. Deus também me ama assim. Quero amar, simplesmente amar, hoje. Quero amar neste grande mundo que me rodeia, porque agora o meu umbigo não é mais um obstáculo para fazê-lo. Queres juntar-te a mim? Ou vais ficar parado com a revista na mão?

 

Ana Pinheiro

Estudante – Benfica (Lisboa)

 

Texto publicado na revista BSteen